1- Carmilla, a Vampira de Karnstein

O primeiro livro que li foi Carmilla, a Vampira de Karnstein (1872) de Sheridan Le Fanu, uma edição da hedra, que considerei bem completa e interessante. Em muitos aspectos gostei mais da introdução que o livro. O livro é bem legal, mas ler sobre vampiros em 2016, principalmente esse que foi uma das primeiras histórias publicadas, sempre deixa uma sensação de ler uma história repetida. O que é estranho visto que essa seria a "original".
Eu acho que não é um fato muito conhecido, mas Carmilla (1872) foi escrita e publicada antes do Drácula (1897) de Bram Stoker. E sinceramente em muitos aspectos considero a obra de Le Fanu superior a de Stoker, achei muito legal as protagonistas serem mulheres e a aurea de romance lésbico que a obra possui. Como também a tensão que a história produz, além de notarmos claramente que é uma obra que reúne as melhores características do período gótico.
É um livro curtinho, li naquelas edições de bolso da Hedra e mesmo assim a obra não passa de 150 paginas, que mesmo lendo devagar, dá para terminar bem rapidinho. A impressão tem uma ótima qualidade e a introdução conta: sobre a biografia de Le Fanu, como a obra foi referência na composição do Drácula, assim como para todos os livros de vampiros que vieram depois. Também faz todo um panorama sobre mitos de vampiro pelo mundo e eras históricas, enfim achei bem informativa, que  me fez  perceber várias nuances da obra. E o melhor que me lembro que paguei apenas 10 reais em uma feira de livro, muito amor s2
Agora sobre o enredo como disse anteriormente, ler essa obra em 2016 perde muito no aspecto novidade. A história começa com Laura narrando um fato que aconteceu há 10 anos em seu castelo na Estíria. E como uma nobre, misteriosa Carmilla aparece em seu castelo, onde fica hospedada e todos os fatos estranhos e misteriosos que começa acontecer a partir da sua chegada, assim como o declínio na saúde de Laura. O que achei super interessante a tensão sexual, assim como a sedução entre Carmilla e Laura, não é sútil, é bem nitída, e gente pensar que o livro é de 1872 isso é muito vanguarda e contra cultura, amei! Segundo a introdução essa é a real ameaça de Carmilla, ela não apenas mata jovens donzelas, mas as seduz também, sendo uma dupla ameaça a sociedade e a moral patriarcal da época. Por ser uma história de vampiros old school: a morte, o medo, o desconhecido, a heresia são temáticas que permeia toda a obra. O desenrolar e desfecho é obvio hoje em dia como disse.
Após a morte de Carmilla e logo no fim da história, Laura afirma como sente falta de Carmilla e que sempre sentiu solidão após sua morte. Eu recomendo muito o livro não só para quem gosta de livros sobre vampiros, é um livro bem escrito, e embora a temática hoje em dia pareça esgotada, esse foi um dos primeiros do gênero e até hoje hoje tem temáticas que não vemos em outros livros. E em uma época que vampiros são vegetarianos, brilham e são objetos de sonhos molhados de adolescentes, ler um conto de horror gótico sobre a temática é puro refresco.

Curiosidades: 
  1. Na obra os vampiros não podem ter o nome que quiserem, sempre tem que adotar anagramas do próprio nome, ou alterar apenas uma letra.
  2. Os vampiros não tem aversão a símbolos cristãos, isso começou com o Drácula. 
  3. Antes de Carmilla, não existia no universo literário uma forma de matar vampiros, é a partir desse livro que o combo decapitação, estaca no coração começa aparecer nos livros de vampiros. Nesse livro vampiros não morem no sol, só sente incômodo.
  4. É o livro de vampiros que teve mais adaptações para o cinema depois de Drácula.

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